Desenrolando palavras

Por: Paulo Souza


Sozinho, no silêncio do meu quarto, busco refúgio nas palavras que se desenrolam sozinhas em apenas um pensar.

Ouvindo em meu fone de ouvido o som do rádio tocando músicas e mais músicas, algumas ao vivo, com o som da plateia ao fundo, tão felizes. E eu aqui, sozinho no meu quarto me refugiando nas palavras.

Amando um amor incerto, mas quem disse que se precisa de certeza para amar? Afinal, os olhos vêem e o coração aceita, quando os olhos não vêem, o coração duvida, mas quem disse que os olhos vêem o coração do outro? Os olhos não vêem nem o próprio coração.

Mas o que meus olhos viram naquele dia, meu coração aceitou, não sei se acertou, mas o tempo me dirá.

O tempo está passando e meu coração ainda sente pelos olhos que se apaixonou. Enquanto meu coração espera, me refugio nas palavras que se desenrolam.

De vez em quando meus olhos se iludem, enganando meu coração, machucando meu corpo.
Buscando um prazer passageiro, me aventuro em outros corpos, conhecendo outros olhos, iludindo outros corações. Alguns perdidos, outros esperando a resposta do tempo, machucando seus corpos.

Quem sabe o que fazem em seus quartos? Talvez estejam ouvindo, em seu fone de ouvido, o som, ao vivo, do rádio com suas plateias felizes, enquanto desenrolam palavras sozinhas.

Mas com tantos olhos nesse mundo, certo de que não conhecerei todos, por que os olhos que conheci naquele dia mexeram com meu coração? Essa eu sei responder sem precisar que as palavras se desenrolem sozinhas no meu quarto: Porque eu conheci um coração puro com olhar inocente.

E a música que me faz lembrar daquele olhar, daquele coração, está tocando agora no rádio, fazendo as lágrimas rolarem.
A saudade bate, o coração aperta, o coração bate, os olhos piscam, a lágrima cai, o coração dispara.

Sem reação, volto para cena inicial.

Sozinho no silêncio do meu quarto, buscando refúgio nas palavras que se desenrolam sozinhas em apenas um pensar.


O tempo me dirá.

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